Quando uma pessoa falece e deixa bens, direitos ou dívidas, é necessário regularizar a sucessão. É para isso que serve o inventário: identificar o patrimônio, verificar as obrigações existentes, calcular os tributos e formalizar a transferência dos bens aos herdeiros.

As duas dúvidas mais comuns são: quanto custa e quanto tempo demora?

A resposta depende principalmente do valor e da complexidade do patrimônio, da documentação disponível, da existência de testamento e do grau de consenso entre os interessados.

O que é o inventário?

O inventário é o procedimento utilizado para apurar o patrimônio deixado pela pessoa falecida e definir a partilha entre os herdeiros.

Concluído o inventário, a escritura pública ou a decisão judicial poderá ser utilizada para regularizar imóveis, veículos, contas bancárias, investimentos e outros direitos.

O procedimento também permite identificar e solucionar eventuais dívidas deixadas pelo falecido antes da divisão da herança.

Existe prazo para abrir o inventário?

O Código de Processo Civil determina que o inventário seja instaurado em até dois meses, contados da abertura da sucessão, isto é, do falecimento.

O descumprimento do prazo pode gerar consequências tributárias, como multa ou encargos previstos na legislação do estado competente. Por isso, é importante verificar as regras aplicáveis ao local em que o ITCMD será recolhido.

Inventário extrajudicial x judicial

Inventário extrajudicial

O inventário extrajudicial é realizado por escritura pública em cartório de notas. Ele pode ser uma alternativa mais célere quando:

Todos os interessados precisam estar acompanhados por advogado.

A existência de testamento ou de herdeiro incapaz exige análise específica. A regra do Código de Processo Civil prevê o inventário judicial nessas situações, embora regulamentações recentes do Conselho Nacional de Justiça admitam hipóteses específicas de inventário extrajudicial com herdeiro incapaz, desde que sejam observados requisitos e haja fiscalização adequada.

Inventário judicial

O inventário judicial tramita perante o Poder Judiciário e pode ser necessário quando:

Mesmo quando existe consenso, o inventário judicial pode ser mais demorado se houver necessidade de avaliações, perícias, pesquisas patrimoniais ou manifestações de diversos órgãos.

Quanto custa um inventário?

Não existe um valor único para todo o Brasil. O custo depende do estado, do patrimônio e do tipo de procedimento utilizado.

As principais despesas são:

1. Imposto sobre a transmissão da herança

Um dos principais custos do inventário é o imposto estadual incidente sobre a transmissão de bens e direitos em razão do falecimento. Ele é conhecido como ITCMD, mas a nomenclatura varia conforme o estado.

A alíquota, a base de cálculo, as isenções e os prazos também dependem da legislação estadual aplicável. Por isso, o valor deve ser calculado considerando o estado competente, o tipo e o valor dos bens, a existência de meação e o quinhão de cada herdeiro.

2. Custas judiciais ou emolumentos do cartório

No inventário extrajudicial, há cobrança de emolumentos do cartório, que normalmente varia conforme o estado, o valor dos bens e a tabela aplicável.

No inventário judicial, podem existir:

3. Honorários advocatícios

A presença de advogado é obrigatória tanto no inventário judicial quanto no extrajudicial.

Os honorários devem ser definidos em contrato e podem considerar fatores como:

A tabela da OAB do estado pode servir como referência, mas o valor final depende das características do caso e do contrato firmado com o advogado.

Quanto tempo demora um inventário?

Também não existe um prazo único.

Quando há consenso, os documentos estão regulares, os tributos são resolvidos e não existem pendências relevantes, o procedimento pode ser concluído em prazo relativamente curto.

Ainda assim, a duração depende da análise dos documentos, da apuração dos bens, do cálculo do ITCMD, da agenda do cartório e dos registros posteriores.

Já o um inventário judicial pode demorar mais quando há:

Em situações complexas ou litigiosas, o procedimento pode se prolongar por anos.

O que costuma encarecer e atrasar o inventário?

Alguns fatores aparecem com frequência:

Quanto mais organizada estiver a documentação e quanto maior for o consenso entre os interessados, maiores tendem a ser as chances de um procedimento mais eficiente.

O planejamento sucessório pode ajudar?

O planejamento sucessório é realizado ainda em vida e pode incluir, conforme o caso:

Ele não elimina automaticamente o inventário nem garante redução de tributos em qualquer situação. Porém, pode proporcionar mais clareza, reduzir incertezas e prevenir conflitos, desde que seja elaborado de acordo com a legislação e com a realidade da família.

Conclusão

O custo e a duração de um inventário dependem do patrimônio, do estado competente, da documentação, do tipo de procedimento e da relação entre os herdeiros.

Por isso, não é possível indicar um valor ou prazo único para todos os casos. A análise antecipada do patrimônio e da documentação pode ajudar a identificar riscos, evitar atrasos e escolher o caminho mais adequado.

Em matéria sucessória, organização e planejamento podem fazer diferença tanto no custo quanto no tempo necessário para regularizar a herança.

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